TRIBusiness: Morte súbita

Levantamento mostra a relação entre o tempo de permanência no cargo dos técnicos de futebol e o dos CEOs em diferentes países. Qualquer semelhança não é mera coincidência

Dunga. Mano Menezes. Luiz Felipe Scolari. Dunga. Tite. Em seis anos, a seleção Brasileira de Futebol teve cinco mudanças de técnico – com direito à reprise de personagens. Se em time que está ganhando não se mexe, em time que está capenga a solução rapidamente adotada pelos clubes e seleções mundo afora é mexer, e mexer muito. A primeira cabeça que costuma rolar é a do líder da equipe. Fizemos um levantamento do tempo médio no cargo dos técnicos de futebol de clubes de primeira divisão em seis países. A média de permanência é de apenas 1,3 ano. Nos Estados Unidos a permanência do técnico é a mais longa: 2,7 anos. Motivos? Talvez seja o país com maior tolerância à entrega de resultados ou com mais maturidade na gestão. Esses indícios ficam mais evidentes quando avaliamos o tempo médio de permanência dos CEOs das empresas nos respectivos países analisados. Sim, eles são equivalentes (em números relativos) e isso não é apenas uma coincidência. Enquanto os Estados Unidos aparecem como o país em que os CEOs têm vida mais longa na organização (7,5 anos, segundo dados da S&P 500), o Brasil fica na lanterna: 4,3 anos, de acordo com um levantamento da consultoria de recrutamento e seleção Egon Zhender, com base nas 50 maiores companhias do Brasil de capital aberto. A alta rotatividade dos CEOs nas empresas instaladas no Brasil sempre chamou atenção, mas nos últimos anos ela vem sendo observada de perto. Tradicionalmente, o país do futebol costuma levar para as salas de reuniões as regras do gramado e substitui com frequência seus comandantes. As causas estão, sim, na instabilidade e imprevisibilidade política e econômica, que pedem resultados extraordinários em tempos ordinários, cobrando dos líderes rápida adaptação, muita inovação e ousadas soluções. Mas não é só isso. O principal motivo da alta rotatividade no topo é o mesmo que abrevia o tempo dos técnicos de futebol: imaturidade da governança corporativa. Diferentemente do que ocorre em países mais desenvolvidos como Estados Unidos e Inglaterra, as empresas brasileiras não têm ainda uma cultura de planejamento sucessório. Sem pensamento de longo prazo, a solução mais fácil é trocar o chefe (ou o técnico) e chamar alguém com perfil de salvador da pátria para colocar ordem na casa. O risco dessas substituições é enorme. Dentro e fora dos gramados. Como estabelecer confiança em ciclos tão curtos? Impossível. Não à toa que o comportamento das 150 Melhores Empresas para Trabalhar é bem diferente da média das empresas brasileiras – e dos clubes de futebol. Segundo nossa última pesquisa, 70% das melhores empresas têm plano de sucessão estruturado. Consequentemente, nelas o CEO fica quase o dobro do tempo no cargo: 7 anos em média. É tempo suficiente para conquistar confiança, provocar mudança e entregar resultados. O cenário de adversidades que esse grupo tem de administrar é exatamente o mesmo enfrentado pelas demais companhias: ambos os grupos sofrem com a pressão por resultados, metas arrojadas e cortes de pessoal. A diferença está na maturidade da gestão. Ao se preocupar mais com seu time e com o desenvolvimento dos seus profissionais, as 150 Melhores Empresas formam seu celeiro de potenciais sucessores. E dão tempo ao tempo. Porque sabem que pessoas não são peças que se trocam e se descartam conforme o sobe e desce da economia – por maiores que sejam a velocidade das mudanças e a cobrança por resultados. Por isso, elas saem na frente. Por isso, são melhores. •

Great Place to Work – por DANIELA DINIZ e LINA NAKATA.

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