SuperTRI | Engraçado é a mãe !

Impossível quem não o conheça. Mesmo quem já viu, assim meio de relance, sabe muito bem que esse careca aí é engraçadíssimo. É, my friend, mas nem sempre foi assim. Da série “ralei muito pra chegar onde cheguei”, Paulo Gustavo é o primeiro. Prestes a estrear o filme
“Minha Mãe é uma Peça 2”, Paulo Gustavo é hoje o maior dos humoristas da nova geração. Aos 38 anos vive o auge da carreira. E pensar que a coisa toda começou com ele imitando a mãe no teatro. A inimitável Dona Hermínia. Mas não é só um ator de comédia. Paulo é dramaturgo, roteirista, diretor e escritor. Talento que transbordava desde a infância. Hiperativo, workaholic, doido por um palco, uma câmera, uma telona. “Faço tanta coisa, tanta, que quando fico três dias em casa sem fazer nada parece que foi só meia hora”, brinca. Além da peça “Minha mãe é uma peça”, que depois virou o filme mais assistido de 2013 no Brasil, Paulo também é campeão de audiência com seu programa “220 Volts” no canal por assinatura Multishow. Tanto que recentemente estreou sua quinta temporada, cada vez melhor. Indicado ao “Prêmio Shell” de Melhor Ator, Paulo Gustavo se formou na Casa de Arte das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, no início de 2005, junto com Fábio Porchat, Marcus Majella e outros. No “220 Volts”, Paulo Gustavo mostra sua extrema versatilidade ao dar vida aos mais variados personagens, além da consagrada Dona Hermínia. Em junho de 2013 estreou na produção
para TV, o sitcom “Vai que Cola”, também no Multishow, já em sua quarta temporada. Além dos tipos hilários, como a Senhora dos Absurdos, Dona Hermínia e Sem Noção, Paulo adicionou outros, como Maria Enfisema, uma fumante que acha que o cigarro é a solução para os problemas do mundo; a Famosa no Snap; e o Repórter Sem Filtro. Com alguns desses personagens, Paulo consegue tocar com humor em assuntos delicados, da série “engraçado de tão politicamente incorreto”.
Mesmo sem estar em nenhum personagem, de cara limpa, Paulo tem o dom de tocar na polêmica com um humor delicioso. Coisas do tipo: “Vi há tempos uma entrevista da Elis Regina dizendo que homem que trepa mesmo é o da zona norte. O riquinho está na praia. Como falo no espetáculo, fazer sexo virou coisa de pobre: o
rico prefere ficar no tablet, no smartphone!”, brinca. Nessa breve entrevista à TRIFATTO, entre um camarim e outro, um telefonema, uma peruca ou outra, Paulo conta sobre a carreira, do que tem
mais medo e “otras cositas mas”. Senhoras e senhores, com vocês, Paulo Gustavo e seus absurdos!

TRIFATTO – Fazendo um humor que toca muitas vezes em assuntos delicados, polêmicos, você fica atento a tal patrulha do politicamente correto?

PAULO GUSTAVO – Penso sempre nos mínimos detalhes na hora de escrever. Tento sempre caminhar na linha tênue entre ser ácido
e preconceituoso. No final das contas, dependendo da situação, você vira a pessoa mais preconceituosa do mundo. Todos estão muito
extremistas, exagerados, radicais. Através do humor você pode dizer muita coisa difícil, tocar em assuntos delicados, mas sempre querendo fazer as pessoas rirem, e também refletirem.

TRIFATTO – Dona Hermínia, inspirada em sua mãe, é seu maior personagem? “Minha mãe é uma peça 2” vem aí com o mesmo sucesso do primeiro?

PAULO GUSTAVO – Espero que sim, aí bate na madeira (risos). Não é inspirada, ela é a minha mãe (risos). Dona Hermínia é a mais antiga e já estamos com um novo filme vindo aí, com força total. Estamos muito satisfeitos, ainda quero brincar muito com ela.

 TRIFATTO – Filme, teatro, sitcom e programa na TV, tudo ao mesmo tempo agora. Como dá conta de tudo? E ainda escreve os roteiros e textos. Ah, e alguns comerciais também. Como?

PAULO GUSTAVO – Ih! Eu sou chato pra caramba, você não está entendendo. Gosto de participar de tudo, sou o cara que gosta de participar e trabalhar em todas as etapas. É pesado, mas eu gosto demais. Mas sou eu quem cria, inventa o tema, faz o roteiro, sou o cabeça de tudo.

TRIFATTO – Quando foi que saiu de férias, lembra?

PAULO GUSTAVO – Faz pouco tempo. Não, cara, é sagrado, férias é fundamental para refrescar a cabeça, descansar, renovar. Nunca abro mão delas. Em julho eu e o Thales (Bretas, seu marido) fomos para Amsterdã. Mesmo com muito trabalho a gente sai bastante, reúne os amigos. Como disse, acho isso essencial. Para dar conta de tudo basta se planejar.

TRIFATTO – E a interação com o público depois dessa fama toda? Ficou um cara chato, arrogante, ou faz a linha “mantendo a essência”?

PAULO GUSTAVO – Não dou a mínima pra esse negócio de fama.
Gosto muito do contato com as pessoas. Tenho pavor de ficar enclausurado, excluído da vida social. Eu gosto de ser um cara normal, porque preciso disso como ator.

TRIFATTO – Mas tem fã que é chato, né?

PAULO GUSTAVO – Nem me fale, eu hein!? Quando eu vejo que tem um fã mais histérico, eu tento falar diretamente que ele é assim, que toma um susto e não vê mais uma pessoa intocável, e sim um cara de 38 anos falando que ele está fora da casinha (risos). Mas nem sempre é simples assim. Lembro um dia em que eu estava tirando uma selfie com uma garota, veio uma outra com força para tirar o celular da minha mão e colocar o dela, que bateu no meu olho. Aí eu fiquei chateado, olhei para ela e falei, porque quase tirou sangue: “Você pode ficar super feliz de estar me vendo, mas não precisa me machucar, puxar meu braço com força”. Acaba que, no
final, vira risada.

TRIFATTO – Humor para você é só trabalho?

PAULO GUSTAVO – Está muito além de um simples trabalho. Tem um papel social importante. Acho que o humor pode funcionar como uma forma leve de crítica social. Minha personagem Senhora dos Absurdos, por exemplo, é preconceituosa, homofóbica. Mas essa não é uma questão simples. Aquele que está fazendo a crítica por meio do humor opera em uma linha tênue.

TRIFATTO – Ralou muito para chegar aí?

PAULO GUSTAVO – Chegar onde? Hoje estou aqui, amanhã, pluft! Vai saber. Nada nessa vida é definitivo. Claro que foi e está sendo uma história de muito trabalho. Hoje sou um privilegiado, mas minha vida não foi sempre assim. Minha mãe era professora de escola estadual, não tínhamos luxo algum. Acho que é por isso que sou tão sensível a essa desigualdade que existe no país.

TRIFATTO – Amor é combustível para a sua vida?

PAULO GUSTAVO – Claro que sim. Amor é fundamental. Minha família não é perfeita. Mas fomos criados com muito amor, sabe aquela casa em que todo mundo Nada nessa vida é definitivo. Claro que foi e está sendo uma história de muito trabalho. Hoje sou um privilegiado, mas minha vida não foi sempre assim. Minha mãe era professora de escola estadual, não tínhamos luxo algum. Acho que é por isso que sou tão sensível a essa desigualdade que existe no país.”
briga, se mete na vida do outro, mas se ama demais? O amor é revolucionário, assim como a arte, a educação. Posso levar o amor para todo mundo pelo meu trabalho, até nas minhas postagens na web. Dê uma olhada nas redes, tem tanto conteúdo vazio.

TRIFATTO – É possível sempre se manter equilibrado, feliz e bem-humorado, com tanto trabalho e compromissos? Você pira de vez em quando?

PAULO GUSTAVO – Sim e para me curar subo no palco. É lá que eu potencializo o que tenho de bom dentro de mim. Acho que todo mundo tem que procurar esse lugar, essa salvação pessoal. Se não for atuar, pode ser escutar música, sair com os amigos, Pilates, que seja! O importante é arranjar meios de botar os fantasmas pra fora.

TRIFATTO – A pergunta clichê, que não podia faltar. Tem um conselho pra quem quer começar nessa vida de artista?

PAULO GUSTAVO – Desista (risos). Se você acha que essa vida é romântica, cheia de glamour, com tietagem, dinheiro aos montes, champanhe e tudo o mais, pode ir desistindo. Agora, se quer trabalhar, se isso de eu falar pra desistir te deixa puto e com mais vontade ainda de seguir em frente, trabalhando e se dedicando, então, cara, o negócio é pra você. Mergulhe de cabeça.

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