Em tempos de crise, Piracicaba vai bem, obrigada!

Há uma fatia do mercado que conseguiu manter-se firme diante da desaceleração do mercado. Oportunidade de crescimento em meio a incertezas, ajuda de colaboradores e da família, criatividade, foco e confiança em dias melhores são regras que nos tornam exceções.

 

A ciência que analisa e estuda os mecanismos referentes a obtenção, produção, consumo e utilização dos bens materiais necessários à sobrevivência e ao bem-estar de uma população é a economia. No mundo todo, ela rege parâmetros de investimento e desenvolvimento, determinando ações individuais, familiares e empresariais, fundamentais na tomada de decisões, geração de empregos e circulação de recursos.
Nos últimos dez anos, as diversas crises levaram a uma oscilação da economia em todo o mundo e em Piracicaba não foi diferente. Porém, há quem defenda a máxima de que “é na crise que se cresce” e, sem medo, a cidade parou o ataque, decidiu crescer em meio às recomendações para paralisar ou recuar e hoje colhe os frutos, tornando-se exemplo da importância de enxergar o próprio negócio com olhos futuristas.

A TRIFATTO, que também comemora seus dez anos, foi ouvir empresários de diversos setores, parceiros nessa jornada. Ambos cresceram juntos e acumularam boas histórias.

Setor: FARMACÊUTICO

Helena de Fatima Baptistella de Napoli, farmacêutica bioquímica, especialista em manipulação magistral, e proprietária da Proderma Farmácia de Manipulação.

Há 35 anos no mercado farmacêutico de manipulação, a Proderma é referência em Piracicaba. A continuidade dos investimentos é uma constante desde o início das atividades, em 1982, num ramo que exige atualização, considerando que o lançamento de novos ativos e tecnologias não param. Helena diz que o setor mudou bastante ao longo desta década. Atualmente, o foco é maior nas fórmulas que visam melhorar a qualidade de vida, uma vez que a expectativa de viver aumentou. Os “remédios” deram lugar a fórmulas vitamínicas para prevenção do envelhecimento e suplementos nutricionais e esportivos. Porém, a década também foi de desafios. “Por incrível que pareça, os maiores foram, e ainda são, atender às demandas tributárias, cada dia maiores e mais complexas, e aprender a lidar com as complicações que a política ocasionou, como a alta do dólar e a demora nas liberações de guias de importação de matéria-prima, pois tudo que usamos é importado”, enfatiza. A empresária buscou três frentes para aplicar seus investimentos: tecnologia, com equipamentos para aprimorar o controle de qualidade; informatização do sistema, tornando-o apto a monitorar de forma mais eficaz a qualidade das formulações; e pessoas, ampliando seu conhecimento, com treinamentos internos contínuos, cursos de atualização e participações em congressos e eventos afins. “Somos otimistas por natureza. Trabalhamos com saúde e bem-estar, de vital importância. Todos precisamos de fórmulas individualizadas e atenção farmacêutica. Assim, acredito que ainda teremos pelo menos mais 35 anos pela frente.”

Setor: INDÚSTRIA

Odair Renosto, presidente da Caterpillar no Brasil.

Visão de negócio em longo prazo e a experiência de 62 anos no país são fatores preponderantes para o sucesso da Caterpillar Brasil em Piracicaba. A empresa acostumou-se a lidar com um mercado cíclico, com altos e baixos, mas também tem em mente que o Brasil continua representando uma imensidão de oportunidades, com toda uma infraestrutura ainda a ser desenvolvida. Segundo o presidente Odair Renosto, a indústria de máquinas de construção vive o mais longo período de baixa, com quatro anos consecutivos de retração. A economia brasileira foi profundamente afetada pelos sérios problemas políticos e éticos, exigindo ajustes das indústrias. Essa conjunção de fatores paralisou o país e derrubou nosso produto interno bruto (PIB). A Caterpillar viu o setor despencar 54% em 2015 e 38% em 2016. “Nosso desafio foi imenso. Sabíamos que exportar era a salvação e foi onde focamos, uma vez que nossos produtos são de classe mundial. Mas não é fácil conquistar novos mercados ou mesmo aumentar embarques para os mercados internacionais cativos numa economia mundial em baixa.” As alternativas foram eliminar desperdícios, cortar atividades sem valor agregado para os clientes e desenhar uma nova estratégia de negócio com foco em custos flexíveis nos períodos de alta e baixa, melhoria contínua da produtividade e sustentabilidade da cadeia de produção. Como resultado, a empresa melhorou a competitividade e encontrou melhor posição para receber mais volumes dos clientes estrangeiros. “Estamos executando projetos para melhorar nossa eficiência energética, segurança e ergonomia dos processos, além de investimentos em novos produtos.”

Setor: IMOBILIÁRIO

Angelo Frias Neto, diretor da Frias Neto Consultoria de Imóveis.

Um dos termômetros da economia, o setor imobiliário costuma antecipar o desempenho do mercado. Os últimos dez anos foram de grande desenvolvimento para o segmento em Piracicaba. “Assistimos a um crescimento em várias faixas, com lançamentos e a criação de um novo perfil imobiliário: o segmento de altíssimo padrão”, afirma o empresário Angelo Frias Neto. Imóveis se mantêm como um bom investimento, não importando se o período é de estagnação ou crescimento. “Por ser um bem físico, palpável, visível e durável, o imóvel não corre o risco de sofrer alterações ou congelamentos como outros tipos de investimentos e, em tempos de instabilidade, se torna um porto seguro.” Enfrentar os percalços das mais variadas mudanças na política econômica nesses anos, com legislações ultrapassadas e cargas tributárias absurdas, constitui um desafio para qualquer empresário brasileiro. A ajuda de colaboradores e a incansável busca por atualização foram os diferenciais na Frias Neto, segundo seu diretor, que destaca o pioneirismo na cidade em diversos padrões de atendimento e trabalho, fortalecendo a crença em expectativas positivas para os próximos anos. “A demanda inesgotável por moradia faz com que o setor mantenha a oferta de imóveis, mesmo diante de um cenário de incertezas, impulsionado, ainda, por muitos lançamentos para programas federais. “Olhando mais à frente, se considerarmos que 46% da população economicamente ativa em Piracicaba têm entre 20 e 54 anos, e que mais de 50% das vendas de imóveis financiados é direcionada para a primeira moradia de pessoas com até 35 anos, podemos concluir que o horizonte para o setor é promissor para muito além dos próximos dez anos”, conclui.

Setor: MODA

Sonia Delabio, diretora do Grupo Apparence

Se há um setor que teve de aprender a lidar com a competitividade, foi o da moda. Essa é também uma das chaves que regem a economia no mundo. Na recente década, o setor passou por um grande processo de mutação. A antiga fórmula não funciona mais e o cliente, com maior acessibilidade aos veículos de informação, se tornou mais exigente e seletivo em relação a tendências, qualidade e preço. Tudo isso exigiu dos empresários uma recolocação no mercado, mudança de estratégias e soluções. “O principal desafio foi lutar com honestidade e persistência diante de tantas dificuldades econômicas e da competitividade do mercado. Nossa empresa os venceu devido à união familiar, à paixão pelo negócio, à visão de mercado e à velocidade em criar novas estratégias. Preparar sucessores, engajados em suas áreas afins, dentro do círculo familiar, foi a saída para que o nome da empresa e seus objetivos não se perdessem”, destaca a empresária Sonia Delabio. Os maiores investimentos foram na ampliação da empresa, na capacitação de profissionais, em novas marcas, no marketing e na excelência no atendimento, sempre atentos às mudanças do mundo atual, que exigem novas formas de transpor os obstáculos e inovar. “Sempre otimistas, acreditamos que a partir de 2018 haja uma adequação dos produtos ao desejo dos clientes, o que possibilitaria um aquecimento no setor da moda. Será necessário sensibilidade para detectar problemas e solucioná-los com eficácia, estabelecendo estratégias e criando novos cenários para nos destacar nos negócios. Hoje o mercado exige um novo perfil de trabalho, com gestores e equipes cada vez mais capacitados, comprometidos e focados.”

Setor: SAÚDE

Carlos Joussef, médico, presidente da Unimed Piracicaba.

A saúde suplementar no Brasil tem sofrido grandes impactos com a crise. A redução do poder aquisitivo da população causou a perda de beneficiários das operadoras de planos de saúde. Para manter-se competitiva, a Unimed Piracicaba investiu em uma governança corporativa sólida, priorizando empregos, além de ampliar sua oferta de produtos e seus serviços de qualidade. A cooperativa desencadeou medidas de proteção, que incluíram hospital próprio, sedes, fornecedores, ambulatórios e clínicas credenciadas. “Aprimoramos fluxos e processos, além de capacitar equipes e investir em tecnologia e serviços de caráter preventivo, ambulatorial e/ou de urgência, fechando o ciclo de necessidades de nosso beneficiário”, destacou o médico Carlos Joussef. A gestão financeira foi baseada na redução do desperdício e ampliação de serviços assistenciais. O hospital também ganhou novos setores em sua estrutura e certificações foram conquistadas, como a acreditação hospitalar nível 2, concedida pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). “Para 2018, planejamos a construção de um novo prédio, com 15 mil metros quadrados, que integrará o centro médico”. O negócio de saúde no Brasil crescerá nos próximos dez anos devido à expansão dos planos em novas áreas e à maior parcela da população em idade adulta. Haverá mais hospitais, oferta de home care, acomodação hospitalar personalizada e valorização da humanização na assistência. O setor passará por um processo de consolidação.”

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